22 de julho de 2008

Seis dicas para se dar bem no mercado de trabalho
















  • Existem dois tipos de homem: os trabalhadores e os não-trabalhadores.
  • Os trabalhadores são melhores que os não-trabalhadores.
  • Existe apenas um critério de distinção: visto que ambos os tipos de homem realizam atividades, os trabalhadores são apenas aqueles que recebem dinheiro por suas atividades.
  • A diferença entre o dinheiro que um indivíduo recebe hoje e o dinheiro que recebia no começo de sua vida é a medida do seu valor como trabalhador.
  • Nunca deve ser explicitado o caráter monetário da definição de trabalho.
  • Homens trabalhadores têm maiores chances de salvar suas almas.
É bom que as coisas sejam passadas a limpo.

17 de julho de 2008

Sobre justiça

-Boa tarde, aqui quem fala é Mariana, atendente da Claro.
-Boa tarde.
-Essa ligação é informativa, e para a sua segurança, está sendo gravada.
-...
-Você tem o prazo de uma semana para colocar R$15,00 em créditos no seu celular... Caso o faça até a próxima quarta-feira, ganhará R$10,00 em crédito adicional, gratuitamente, podendo utilizar esse crédito adicional de qualquer maneira, seja em ligações ou em SMS.
-Uhum...
-O senhor estaria interessado em participar dessa promoção?
-Quê?
-O senhor estaria interessado em participar dessa promoção?
-Bom, se a ligação é informativa, eu acho que já estou informado.
-Mas precisamos saber se o senhor está interessado, para podermos te passar o número de protocolo.
-Número de protocolo...?
-O senhor está interessado, vai recarregar o seu celular?
-Não sei...
-O senhor prefere que eu diga o número de protocolo agora ou prefere receber em mensagem de texto?
-Protocolo?
-Pronto. Em 24h, no máximo, estará sendo enviado ao senhor o número de protocolo desta operação.
-Eu poderia receber uma cópia da gravação dessa ligação?
-Muito obrigada pela atenção, e tenha uma boa noite.
-Sim, mas...
-Tu, tu, tu...

Um par de horas depois recebo o tão importante número de protocolo.

14 de julho de 2008

fatos e construções

Há a polidez, que deveria ser regida por bom-senso mas acaba tornando-se um conjunto objetivo de regras. Há consequências, mas, por culpa da construção moralista, somos ensinados a acreditar que consequências inventadas são como as reais, inevitáveis. Há em todos, em certo nível, uma crença de que Deus distribui uma certa quantidade de pontos em certos atributos definidos, e portanto aquele muito bonito não deve ser muito inteligente, e vice-versa, ou aquele muito bonito e inteligente não deve ter muita habilidade social. O que falta é capacidade (ou humildade) de enxergar a vida e a existência pelo lado de fora, e vê-las como fenômeno, simples fenômeno. Sem objetivo, sem origem, sem final, nem moral: fenômeno apenas. Não há o bom ou o mau, nem uma escala de bondade - não há coisa assim nem para os atos humanos, que o diga para pessoas! Conceitos morais são conceitos que relacionam-se apenas em nível de linguagem, mas não possuem em si uma verdadeira manifestação.

Como se deve viver então, numa existência em que não há objetivo, vivendo num conceito de vida como apenas fenômeno? Seja como for, uma ação nunca extrapolará o ordinário, nunca deixará de fazer parte do fenômeno da existência. Esta é a expressão máxima da liberdade, o limite de tudo não é moral, é o fenômeno.

6 de fevereiro de 2008

Deus e moral

Entre pessoas religiosas é lugar-comum pensar que Deus representa justiça perfeita e moral impecável na vida de uma pessoa; sendo, conseqüentemente, a imoralidade um sintoma da gravíssima ausência desse Deus.

Eu penso no sentido oposto.

Deus é uma crença que, no axioma da criação e regulação do cosmo, comete certos crimes morais. O crente é quem age de modo presunçoso: é fácil alegar que existe uma entidade super-poderosa que atende por ser criador, e está no céu te reservando uma cadeirinha de onde você pode confortavelmente aplaudir o sofrimento daqueles que hoje lhe são inimigos. Projeta-se o prazer sádico para um futuro isento de crime, pois o paraíso é a recompensa: a terra sem pecados.

Ao meu ver, achar que o universo está disposto a contorcer-se (na forma de Deus) a fim de assegurar conforto para alguns é ter premissas ideológicas que justificam qualquer tipo de segregação.

Acreditar no criador não é pôr-se de joelhos frente à própria insignificância, mas sim assumir poderes infinitos quando este Deus lhe protege e agrada.