6 de fevereiro de 2008

Deus e moral

Entre pessoas religiosas é lugar-comum pensar que Deus representa justiça perfeita e moral impecável na vida de uma pessoa; sendo, conseqüentemente, a imoralidade um sintoma da gravíssima ausência desse Deus.

Eu penso no sentido oposto.

Deus é uma crença que, no axioma da criação e regulação do cosmo, comete certos crimes morais. O crente é quem age de modo presunçoso: é fácil alegar que existe uma entidade super-poderosa que atende por ser criador, e está no céu te reservando uma cadeirinha de onde você pode confortavelmente aplaudir o sofrimento daqueles que hoje lhe são inimigos. Projeta-se o prazer sádico para um futuro isento de crime, pois o paraíso é a recompensa: a terra sem pecados.

Ao meu ver, achar que o universo está disposto a contorcer-se (na forma de Deus) a fim de assegurar conforto para alguns é ter premissas ideológicas que justificam qualquer tipo de segregação.

Acreditar no criador não é pôr-se de joelhos frente à própria insignificância, mas sim assumir poderes infinitos quando este Deus lhe protege e agrada.

1 comentários:

Anônimo disse...

nossa